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Ocorrência de Salmonella em Farinhas de Origem Animal


Os processos realizados para o controle Salmonella sp. na ração são de grande importância tendo em vista uma possível correlação entre os sorovares isolados na ração e na carcaça.

G.F. Souza; C. Mersoni; D.M. Garcia; L.B. Moraes; H.L.S. Moraes; C.T.P. Salle Centro de Diagnóstico e Pesquisa em Patologia Aviária – CDPA/UFRGS – Garibaldi/RS – Brasil

Introdução
A Salmonelose é, ainda hoje, de grande importância entre as principais doenças avícolas, pois as perdas econômicas determinadas por essa doença estão presentes em todas as fases da produção, desde a criação ao consumo dos produtos de origem avícola. A ração e as matérias-primas utilizadas em sua fabricação são fontes conhecidas de contaminação por Salmonelas desde 1948, principalmente as de origem animal que apresentam, em geral, elevados índices de contaminação. Sendo assim, farinhas de carne, ossos, vísceras, penas e peixe devem ser constantemente monitoradas (2,4).

Considerando a necessidade do controle microbiológico para a avaliação da qualidade de matérias-primas, o presente trabalho teve como objetivo investigar a ocorrência de Salmonella sp., em farinhas de origem animal, utilizadas na ração avícola e encaminhadas ao CDPA, no período de um ano.
Material e Métodos
No ano de 2005, o Centro de Diagnóstico e Pesquisa em Patologia Aviária - CDPA Regional Serra, analisou 363 amostras de farinhas de origem animal para Pesquisa de Salmonella sp, oriundas de empresas da região Sul do país. Realizaram-se análises em 139 amostras de farinha de vísceras, 137 amostras de farinha de penas e 87 amostras de farinha de carne. A metodologia analítica estava de acordo com a Instrução Normativa SDA n° 62 do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (3), com
modificações pertinentes a substituição do caldo de pré-enriquecimento por Água Peptonada Tamponada.

De cada amostra, foram coletadas 25g e adicionadas em 225ml de Água Peptonada Tamponada, incubou-se a 37ºC por 16 a 20h. A partir dessa cultura pré-enriquecida seguiu-se para os caldos de enriquecimento seletivo, Caldo Tetrationato e Caldo Rappaport-Vassiliadis, incubou-se a 41ºC por 24h. Após esse período, semeou-se uma alíquota de cada caldo em Agar Verde brilhante vermelho de fenol lactose sacarose – BPLS e Agar Xilose Lysina Deoxicholate – XLD, adicionados de novobiocina a 4%, incubou-se a 37ºC por 24h. As colônias suspeitas de Salmonela isoladas nesses meios foram submetidas às provas bioquímicas e teste sorológico utilizando-se os anti-soros somático polivalente (Poli O) e monovalentes somáticos e flagelares a fim de identificar entre as quatro Salmonellas inclusas no Plano Nacional de Sanidade Avícola (PNSA). As cepas não identificadas foram enviadas ao Laboratório de Enterobactérias da FIOCRUZ para a identificação sorológica completa.

Resultados e Discussão
Das 363 amostras de farinhas analisadas, 30 foram positivas para Salmonella sp. Na farinha de vísceras 8,6% das amostras foram positivas para Salmonella. Na farinha de penas, 6,5% e na farinha de carne 10,3% de positividade. Os resultados estão demonstrados na Tabela 1. Estes resultados estão de acordo com citações na literatura, que demonstram o isolamento de Salmonelas em farinhas de origem animal em níveis que oscilam de 5 a 96,67% (5).

Os sorovares mais freqüentes encontrados nas farinhas foram S. Anatum e S. Ohio. Estes resultados concordam com o autor, que em seu trabalho reconheceu os seguintes sorovares de Salmonella: S. Heidelberg, S. infantis, S. Senftenberg e S. Anatum, sendo esta última encontrada com freqüência em ingredientes utilizados na fabricação de ração animal (1).

Os processos realizados para o controle Salmonella sp. na ração são de grande importância tendo em vista uma possível correlação entre os sorovares isolados na ração e na carcaça. Entretanto, não é comum a ocorrência de sorovares adaptados às aves como S. Enteritidis, S. Pulorum e S. Gallinarum (2).

Tabela 1: Isolamento de Salmonella e identificação de sorovares em diferentes amostras de farinha de origem animal



Conclusão
Os resultados do presente trabalho confirmam a presença de Salmonella sp em farinhas de origem animal, não havendo correlação entre o tipo de matéria-prima e o sorovar isolado. Dentre as quatro Salmonelas citadas no PNSA, somente a Salmonella Enteritidis foi encontrada. Portanto, as farinhas de origem animal contaminadas constituem importante fonte de  transmissão de Salmonella sp. na cadeia avícola e seu monitoramento é fundamental.
Bibliografia

1 . Albuquerque, R.,Ito N.M.K., Miyaji, C.I. 1999. Estudo da ocorrência de salmonelas em ingredientes, rações e suabes de pó colhidos em uma
fábrica industrial de ração. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science. v.36, n.6.

2 . Andreatti Filho, R.L. 2007. Paratifo Aviário. In: Saúde Aviária e Doenças. 1 ed. São Paulo: Editora Roca, 2007, v.1, p. 112-117.

3. Brasil, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Secretaria de Defesa Agropecuária. Métodos Analíticos Oficiais para Análises
Microbiológicas para Controle de Produtos de Origem Animal e Água. Instrução Normativa nº 62, de 26/08/2003. Diário Oficial da União, Brasília,.Cap XV.

4 . Richardson, K. IV Seminário Internacional de Aves e Suínos – Avesui 2005. Florianópolis,Santa Catarina, Brasil.Disponível em: www.cnpsa.embrapa.br/sgc-publicações/publicações-C55276m.pdf

5 .Santos ,E.J., Carvalho, E.P, Sanches, R.L., Barrios, B.E. 2000. Qualidade Microbiológica de farinhas de carne e ossos produzidas no estado de Minas Gerais para a produção de ração animal. Ciência e Agrotecnologia, v. 24, n.2, p.425-433 

Disponível em: https://avisite.com.br/index.php?page=cet&subpage=trabalhostecnicos&id=141 (Acessado em: 19/06/18).

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